quinta-feira, 22 de novembro de 2012


(Des) Regulação conjunta da Educação

Joaquim Azevedo no texto “A educação de todos e ao longo de toda a vida e a regulação sociocomunitária da educação” considera a educação de todos e ao longo da vida com o objetivo de colocar o desenvolvimento humano no cerne do desenvolvimento social como o desiderato de nível superior. É seu desejo que tal aconteça numa articulação dos diferentes atores sociais, desde o Estado à mais pequena freguesia. Para o autor, os atores sociais devem utilizar um modelo de regulação conjunta que resulte do diálogo, da negociação, cooperação e compromisso de todos com o intuito de promover o bem comum. Propõe um novo programa institucional que não se centre no Estado, mas numa regulação que valorize a cooperação entre todos, que estimule o poder local, capaz de gerar uma cidadania ativa capaz de contrariar os quadros pré-estabelecidos de regulação de controlo. Idealiza um Estado social que sirva e estimule este tipo de cidadania livre e que não a oprima e controle, que não aplique novas normas e orientações, mas que traga algo de novo às dinâmicas sociocomunitarias. A animação socioeducativa pode e deve insistir na criação de icentivos à inovação social. As carências existem, mas existe também um grande receio de inovar e ir contra as regras impostas pelo sistema, mas é função do animador insistir para a abertura de mentalidades para projetos baseados na dolidariedade social, negociação, construção de compromissos e atividades realmente participadas por todos os atores sociais. Fica-nos então retida a ideia de Joaquim Azevedo de que “para que o ideal de uma educação de todos e ao longo de toda vida se possa realizar, impõe-se que continuem a ser desenvolvidas dinâmicas e projetos socioeducativos corajosos e nascidos do mais fundo do coração da dignidade e da solidariedade humanas, que estejam proximas, sejam flexiveis e acessíveis a todos os cidadãos, sem exceção”.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012



Iguais na diferença 

É certo que a educação é um direito universal, mas por muito democrática e igualitária que seja (ou que queiramos que seja) a nossa sociedade nem todos têm as mesmas oportunidades e as mesmas condições de acesso à participação social. Será que todos têm acesso à educação, ou a padronização e formatação da mesma deixam muitos de fora? O saber conhecimentos já há muito que passou para o saber para agir, isto é, o conhecimento deve ser entendido e só faz sentido quando tem uma aplicação, quando não depende só da informação adquirida e armazenada, mas também com a capacidade de cada um em lhe dar utilidade. São muitos os autores que abordam o conceito “know how” que consiste num conhecimento assente em competências, muito mais importante que o conhecimento apenas teórico leccionado nas mais variadas disciplinas. É deste conhecimento, do saber e do saber fazer que as sociedades precisam e estão ávidas. É neste sentido que têm surgido novas políticas e cada vez mais atividades e programas de Educação ao Longo da Vida de maneira a que todos possam dar o seu contributo à sociedade com os seus saberes e competências.
Vista a importância que reside no saber de cada um, não será injusto padronizar e formatar a forma de acesso ao ensino superior?  No meu ponto de vista, sim. O sistema de ensino deveria ser capaz de acreditar realmente as competências de cada individuo e dotá-lo de autonomia a poder ter um papel mais interventivo no seu plano de estudos, deixando liberdade para o pensamento crítico, para a auto-avaliação e para o respeito dos ritmos de aprendizagem de cada um.


Tu és rico e eu sou artista

Tu és rico e eu sou artista
Sem mim não podes passar
Enquanto eu tiver vigor
Hei-de pra ti trabalhar
Quando no mundo me achei,
De pobreza revestido.
Com ela tenho aprendido,
Várias coisas que hoje sei,
Sempre pra ti trabalhei,
E nunca tive outra vida.
E hoje sou socialista,
Com a força do meu braço,
Precisas tudo quanto faço,
Tu és rico eu sou artista.
Quando no mundo me viste,
Logo de mim precisaste,
Fiz-te o berço onde te embalaste,
Fiz-te o fato que vestiste,
Fiz-te a cama onde dormiste,
E umas botas pra calçar.
Para aprenderes a andar,
Fiz-te um carrinho com rodas,
Tenho-te feito tantas modas,
Sem mim não podes passar.
       Faço-te casas para habitar,
Amasso-te o pão pra comer,
Faço-te livros pra aprender,
E leis pra te castigar,
Faço-te naus pra embarcar,
Sou navegante pescador,
Sou hortelão lavrador.
Fabrico o vinho que bebes,
Tudo quanto tens me deves,
Enquanto eu tiver vigor.
Já que te não faça mais nada,
Quero fazer-te um caixão,
Pra te levarem á mão,
Á derradeira morada,
Quero fazer-te uma enxada,
Com ele te hão-de enterrar,
Para teus ossos guardar,
Quero fazer-te um jazigo,
Já sem ter contas contigo,
Hei-de pra ti trabalhar

António Albino Machado