domingo, 23 de dezembro de 2012


Animação Socioeducativa e Educação ao Longo da Vida

A Animação Socioeducativa tem uma relação com a intervenção da educação para a autonomia dos indivíduos e dos grupos, por intermédio do tempo livre e do lazer fora do contexto escolar obrigatório. A Animação está assente numa base de participação que não se resume, apenas, a uma ideia, mas implica uma atitude positiva, motivada e a envolvência num processo participativo. Sem processo participativo é impossível existir Animação. P. Waichman define a animação como subsistema da educação. Assim como a escolaridade é um subsistema da educação, a Animação também o é. Nesta linha, surge a animação como processo de libertação do individuo que gera aprendizagem de vida voluntariamente em complementaridade com a escola. A função do animador passa por facilitar as condições para que cada individuo possa pensar e agir de forma mais autónoma, tornando-se agente essencial do seu desenvolvimento, ajudando a construir-se como sujeito. Segundo Ph. Meirreu a função da pedagogia é passar as atividades espontâneas, a atividades refletidas de forma democrática. A escola e a família têm um papel preponderante neste processo educativo, mas o animador, no seio do grupo, privilegia a perspetiva socioeducativa, na medida em que a educação só é realmente útil à democracia, quando visa uma transformação da sociedade. Ao invés de uma socialização com orientação normativa que prepara e espera que o individuo desempenhe o papel a ele designado num modelo de conformismo, a Animação propõe uma socialização com orientação dinâmica que visa a aprendizagem de saberes ao longo da vida com a participação de todos.

O Cavalo de Turim





Por sugestão do professor Mário Montez resolvi ver o filme “O Cavalo de Turim”, de Béla Tarr. O filme começa com uma história passada com Friedrich Nietzsche que terá visto um cavalo a ser barbaramente chicoteado e se terá metido entre o animal e a chicote, mas que a partir daí terá ficado doente e enlouquecido. As imagens iniciais mostram-nos um cavalo a galopar e um velho homem numa carroça a chicoteá-lo até chegar a sua casa, num lugar ermo e inóspito. O velho homem (que tem um braço imobilizado) vive com a sua filha e depende dela para quase tudo. Os dias são sempre iguais, bebem dois cálices de palinka, comem uma batata à refeição e olham a paisagem fria pela janela. Um dia recebem a visita de um conhecido que lhes vem pedir uma garrafa de palinka e lhes fala da destruição da cidade. A minha interpretação é que a destruição da cidade simboliza a destruição dos valores da sociedade e a responsabilidade que cada indivíduo tem nessa destruição. Pai e filha não querem saber; simbolizam a raça humana, fechada em si própria que só quer saber de si. Uma humanidade rotineira e mecanizada que faz com que os dias pareçam sempre iguais A verdade é que o cavalo se recusa a trabalhar, nega-se a comer, os recursos vão escasseando, o poço seca, falta bebida e a luz. Esta perda de recursos, na minha ótica simboliza a perda dos valores, a degradante sociedade capitalista do consumo, sem dignidade. Ainda tentaram uma saída, mas sem resultados tendo que voltar para trás. A destruição vai-se intensificando, nada muda, os dias continuam iguais mas sem rumo nem esperança. Só resta a escuridão. A repetição do quotidiano, a música monocórdica, o vento incessante e o facto de o filme ser a preto e branco servem perfeitamente as intenções do autor. Ajudam a que se entenda o simbolismo da decadência da humanidade. Um filme que à partida possa parecer simples demais, enfadonho e angustiante vem a mostrar-se um filme cheio de simbologias, significados filosóficos e interpretações. Esta foi a minha, mas com certeza que cada individuo que o veja fará a sua própria.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012


(Des) Regulação conjunta da Educação

Joaquim Azevedo no texto “A educação de todos e ao longo de toda a vida e a regulação sociocomunitária da educação” considera a educação de todos e ao longo da vida com o objetivo de colocar o desenvolvimento humano no cerne do desenvolvimento social como o desiderato de nível superior. É seu desejo que tal aconteça numa articulação dos diferentes atores sociais, desde o Estado à mais pequena freguesia. Para o autor, os atores sociais devem utilizar um modelo de regulação conjunta que resulte do diálogo, da negociação, cooperação e compromisso de todos com o intuito de promover o bem comum. Propõe um novo programa institucional que não se centre no Estado, mas numa regulação que valorize a cooperação entre todos, que estimule o poder local, capaz de gerar uma cidadania ativa capaz de contrariar os quadros pré-estabelecidos de regulação de controlo. Idealiza um Estado social que sirva e estimule este tipo de cidadania livre e que não a oprima e controle, que não aplique novas normas e orientações, mas que traga algo de novo às dinâmicas sociocomunitarias. A animação socioeducativa pode e deve insistir na criação de icentivos à inovação social. As carências existem, mas existe também um grande receio de inovar e ir contra as regras impostas pelo sistema, mas é função do animador insistir para a abertura de mentalidades para projetos baseados na dolidariedade social, negociação, construção de compromissos e atividades realmente participadas por todos os atores sociais. Fica-nos então retida a ideia de Joaquim Azevedo de que “para que o ideal de uma educação de todos e ao longo de toda vida se possa realizar, impõe-se que continuem a ser desenvolvidas dinâmicas e projetos socioeducativos corajosos e nascidos do mais fundo do coração da dignidade e da solidariedade humanas, que estejam proximas, sejam flexiveis e acessíveis a todos os cidadãos, sem exceção”.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012



Iguais na diferença 

É certo que a educação é um direito universal, mas por muito democrática e igualitária que seja (ou que queiramos que seja) a nossa sociedade nem todos têm as mesmas oportunidades e as mesmas condições de acesso à participação social. Será que todos têm acesso à educação, ou a padronização e formatação da mesma deixam muitos de fora? O saber conhecimentos já há muito que passou para o saber para agir, isto é, o conhecimento deve ser entendido e só faz sentido quando tem uma aplicação, quando não depende só da informação adquirida e armazenada, mas também com a capacidade de cada um em lhe dar utilidade. São muitos os autores que abordam o conceito “know how” que consiste num conhecimento assente em competências, muito mais importante que o conhecimento apenas teórico leccionado nas mais variadas disciplinas. É deste conhecimento, do saber e do saber fazer que as sociedades precisam e estão ávidas. É neste sentido que têm surgido novas políticas e cada vez mais atividades e programas de Educação ao Longo da Vida de maneira a que todos possam dar o seu contributo à sociedade com os seus saberes e competências.
Vista a importância que reside no saber de cada um, não será injusto padronizar e formatar a forma de acesso ao ensino superior?  No meu ponto de vista, sim. O sistema de ensino deveria ser capaz de acreditar realmente as competências de cada individuo e dotá-lo de autonomia a poder ter um papel mais interventivo no seu plano de estudos, deixando liberdade para o pensamento crítico, para a auto-avaliação e para o respeito dos ritmos de aprendizagem de cada um.


Tu és rico e eu sou artista

Tu és rico e eu sou artista
Sem mim não podes passar
Enquanto eu tiver vigor
Hei-de pra ti trabalhar
Quando no mundo me achei,
De pobreza revestido.
Com ela tenho aprendido,
Várias coisas que hoje sei,
Sempre pra ti trabalhei,
E nunca tive outra vida.
E hoje sou socialista,
Com a força do meu braço,
Precisas tudo quanto faço,
Tu és rico eu sou artista.
Quando no mundo me viste,
Logo de mim precisaste,
Fiz-te o berço onde te embalaste,
Fiz-te o fato que vestiste,
Fiz-te a cama onde dormiste,
E umas botas pra calçar.
Para aprenderes a andar,
Fiz-te um carrinho com rodas,
Tenho-te feito tantas modas,
Sem mim não podes passar.
       Faço-te casas para habitar,
Amasso-te o pão pra comer,
Faço-te livros pra aprender,
E leis pra te castigar,
Faço-te naus pra embarcar,
Sou navegante pescador,
Sou hortelão lavrador.
Fabrico o vinho que bebes,
Tudo quanto tens me deves,
Enquanto eu tiver vigor.
Já que te não faça mais nada,
Quero fazer-te um caixão,
Pra te levarem á mão,
Á derradeira morada,
Quero fazer-te uma enxada,
Com ele te hão-de enterrar,
Para teus ossos guardar,
Quero fazer-te um jazigo,
Já sem ter contas contigo,
Hei-de pra ti trabalhar

António Albino Machado


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

"Estou aprendendo o tempo todo. A lápide vai ser o meu diploma"
                                                                                                            Eartha Kitt

Quem sou...
 
Chamo-me Paula Leitão e nasci a 15 de Setembro de 1983 em Abrunheira. Tive uma infância feliz e uma adolescência muito preenchida. Fui catequista, monitora de grupo de jovens, dancei no rancho das cantarinhas de Abrunheira, toquei clarinete no grupo coral e ainda tinha tempo para tocar na banda da Filarmónica Instrução e Recreio de Abrunheira (actividade que ainda hoje mantenho).

Uma das coisas que me dá mais prazer fazer na vida é tocar clarinete. Não apenas pelo prazer de tocar o clarinete em si, mas principalmente porque de cada vez que interpreto uma música em conjunto com a banda, busco em mim o que de melhor tenho. É um processo de criação em conjunto, onde todos somos importantes e o resultado final nos devolve sentimentos de satisfação e orgulho. Faço parte da banda da F.I.R.A. (Filarmónica Instrução e Recreio de Abrunheira) desde 1993 que teve um papel muito importante no meu desenvolvimento pessoal.

Estudei até ao 12ªano, sempre com notas medianas, deixando a disciplina de Latim por terminar. Senti  a necessidade de ir trabalhar principalmente por motivos de ordem financeira, e porque ambicionava a minha independência. Mais tarde, terminei o 12ªano por unidades capitalizáveis, realizei o exame específico para ingressar na Universidade mas não obtive nota suficiente. Casei em 2010 e incentivada pelo marido, resolvi tentar ingressar pelo regime Maiores de 23 no ano seguinte. Fui bem-sucedida e escolhi o curso de Animação Socioeducativa porque fazendo uma retrospectiva da minha vida, foi o que, de certa forma sempre fiz e sempre gostei fazer.