(Des) Regulação conjunta da Educação
Joaquim Azevedo no texto “A educação de todos e ao longo de
toda a vida e a regulação sociocomunitária da educação” considera a educação de
todos e ao longo da vida com o objetivo de colocar o desenvolvimento humano no
cerne do desenvolvimento social como o desiderato de nível superior. É seu
desejo que tal aconteça numa articulação dos diferentes atores sociais, desde o
Estado à mais pequena freguesia. Para o autor, os atores sociais devem utilizar
um modelo de regulação conjunta que resulte do diálogo, da negociação,
cooperação e compromisso de todos com o intuito de promover o bem comum. Propõe
um novo programa institucional que não se centre no Estado, mas numa regulação
que valorize a cooperação entre todos, que estimule o poder local, capaz de
gerar uma cidadania ativa capaz de contrariar os quadros pré-estabelecidos de
regulação de controlo. Idealiza um Estado social que sirva e estimule este tipo
de cidadania livre e que não a oprima e controle, que não aplique novas normas
e orientações, mas que traga algo de novo às dinâmicas sociocomunitarias. A
animação socioeducativa pode e deve insistir na criação de icentivos à inovação
social. As carências existem, mas existe também um grande receio de inovar e ir
contra as regras impostas pelo sistema, mas é função do animador insistir para
a abertura de mentalidades para projetos baseados na dolidariedade social,
negociação, construção de compromissos e atividades realmente participadas por
todos os atores sociais. Fica-nos então retida a ideia de Joaquim Azevedo de
que “para que o ideal de uma educação de todos e ao longo de toda vida se possa
realizar, impõe-se que continuem a ser desenvolvidas dinâmicas e projetos
socioeducativos corajosos e nascidos do mais fundo do coração da dignidade e da
solidariedade humanas, que estejam proximas, sejam flexiveis e acessíveis a
todos os cidadãos, sem exceção”.
A criação de redes ao nível local é fundamental para a procura de novas soluções de desenvolvimento social. Coloca-se também a questão: Deveremos e poderemos desenvolver, em Portugal, ofertas educativas adequadas às especificidades das realidades locais? Quais os aspetos positivos e negativos de uma estratégia deste género? Qual o papel da animação socioeducativa nesta linha de atuação?
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