É certo que a educação é um direito universal, mas por muito
democrática e igualitária que seja (ou que queiramos que seja) a nossa
sociedade nem todos têm as mesmas oportunidades e as mesmas condições de acesso
à participação social. Será que todos têm acesso à educação, ou a padronização
e formatação da mesma deixam muitos de fora? O saber conhecimentos já há muito
que passou para o saber para agir, isto é, o conhecimento deve ser entendido e
só faz sentido quando tem uma aplicação, quando não depende só da informação
adquirida e armazenada, mas também com a capacidade de cada um em lhe dar
utilidade. São muitos os autores que abordam o conceito “know how” que consiste
num conhecimento assente em competências, muito mais importante que o
conhecimento apenas teórico leccionado nas mais variadas disciplinas. É deste
conhecimento, do saber e do saber fazer que as sociedades precisam e estão
ávidas. É neste sentido que têm surgido novas políticas e cada vez mais
atividades e programas de Educação ao Longo da Vida de maneira a que todos
possam dar o seu contributo à sociedade com os seus saberes e competências.
Vista a importância que reside no saber de cada um, não será
injusto padronizar e formatar a forma de acesso ao ensino superior? No meu ponto de vista, sim. O sistema de
ensino deveria ser capaz de acreditar realmente as competências de cada
individuo e dotá-lo de autonomia a poder ter um papel mais interventivo no seu
plano de estudos, deixando liberdade para o pensamento crítico, para a
auto-avaliação e para o respeito dos ritmos de aprendizagem de cada um.
Tu és rico e
eu sou artista
Tu és rico e
eu sou artista
Sem mim não
podes passar
Enquanto eu
tiver vigor
Hei-de pra
ti trabalhar
Quando no
mundo me achei,
De pobreza
revestido.
Com ela
tenho aprendido,
Várias
coisas que hoje sei,
Sempre pra
ti trabalhei,
E nunca tive
outra vida.
E hoje sou
socialista,
Com a força
do meu braço,
Precisas
tudo quanto faço,
Tu és rico
eu sou artista.
Quando no
mundo me viste,
Logo de mim
precisaste,
Fiz-te o
berço onde te embalaste,
Fiz-te o
fato que vestiste,
Fiz-te a
cama onde dormiste,
E umas botas
pra calçar.
Para
aprenderes a andar,
Fiz-te um
carrinho com rodas,
Tenho-te
feito tantas modas,
Sem mim não
podes passar.
Faço-te casas para habitar,
Amasso-te o
pão pra comer,
Faço-te
livros pra aprender,
E leis pra
te castigar,
Faço-te naus
pra embarcar,
Sou
navegante pescador,
Sou hortelão
lavrador.
Fabrico o
vinho que bebes,
Tudo quanto
tens me deves,
Enquanto eu
tiver vigor.
Já que te
não faça mais nada,
Quero
fazer-te um caixão,
Pra te
levarem á mão,
Á derradeira
morada,
Quero
fazer-te uma enxada,
Com ele te
hão-de enterrar,
Para teus
ossos guardar,
Quero
fazer-te um jazigo,
Já sem ter
contas contigo,
Hei-de pra
ti trabalhar
António Albino Machado
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