O Cavalo de Turim
Por sugestão do professor Mário Montez resolvi ver o filme “O
Cavalo de Turim”, de Béla Tarr. O filme começa com uma história passada com
Friedrich Nietzsche que terá visto um cavalo a ser barbaramente chicoteado e se
terá metido entre o animal e a chicote, mas que a partir daí terá ficado doente
e enlouquecido. As imagens iniciais mostram-nos um cavalo a galopar e um velho
homem numa carroça a chicoteá-lo até chegar a sua casa, num lugar ermo e
inóspito. O velho homem (que tem um braço imobilizado) vive com a sua filha e
depende dela para quase tudo. Os dias são sempre iguais, bebem dois cálices de
palinka, comem uma batata à refeição e olham a paisagem fria pela janela. Um
dia recebem a visita de um conhecido que lhes vem pedir uma garrafa de palinka
e lhes fala da destruição da cidade. A minha interpretação é que a destruição
da cidade simboliza a destruição dos valores da sociedade e a responsabilidade
que cada indivíduo tem nessa destruição. Pai e filha não querem saber;
simbolizam a raça humana, fechada em si própria que só quer saber de si. Uma
humanidade rotineira e mecanizada que faz com que os dias pareçam sempre iguais
A verdade é que o cavalo se recusa a trabalhar, nega-se a comer, os recursos
vão escasseando, o poço seca, falta bebida e a luz. Esta perda de recursos, na
minha ótica simboliza a perda dos valores, a degradante sociedade capitalista
do consumo, sem dignidade. Ainda tentaram uma saída, mas sem resultados tendo
que voltar para trás. A destruição vai-se intensificando, nada muda, os dias
continuam iguais mas sem rumo nem esperança. Só resta a escuridão. A repetição
do quotidiano, a música monocórdica, o vento incessante e o facto de o filme
ser a preto e branco servem perfeitamente as intenções do autor. Ajudam a que
se entenda o simbolismo da decadência da humanidade. Um filme que à partida
possa parecer simples demais, enfadonho e angustiante vem a mostrar-se um filme
cheio de simbologias, significados filosóficos e interpretações. Esta foi a
minha, mas com certeza que cada individuo que o veja fará a sua própria.
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